Aprendendo com meu melhor amigo

Como disse C. S. Lewis, a “amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para a outra: ‘O quê? Você também! Pensei que eu era o único”. Assim surgem os vínculos mais fortes. Quando nos identificamos com alguém, inevitavelmente, sentimos uma sensação de alívio. Pensamos: “não sou o único” e, consequentemente, “não estou mais sozinho”. E, então, sorrimos para a possibilidade de termos alguém que nos ouça e nos compreenda.
Muitas vezes, o que há em comum é um gosto peculiar, uma desaprovação ou mesmo uma antipatia com relação a alguém. Atire a primeira pedra quem não tem uma amizade que começou com objetivo de nutrir um desafeto comum. Mas, vá com calma. Se você não tem é possível que ainda venha a ter.

É bem verdade que, como disse o próprio Lewis, as amizades não são necessárias à sobrevivência, mas a amizade tira o peso da palavra “sobrevivência”. Não precisamos de amigos (geralmente) para construir os sonhos nossos de cada dia. Mas, que graça teriam as realizações se não tivéssemos com quem partilhar as alegrias? E, por outro lado, como seria dura a vida se as nossas lágrimas tivessem que cair solitárias por não encontrarmos alguém disposto a chorar conosco.

Mas, convenhamos que os amigos andam muito sábios. Suas palavras jorram com facilidade e com uma leveza bela. São palavras, muitas vezes, sinceras. Todavia, em nada ajudam quando vêm de alguém que é incapaz de se pôr no lugar de quem está ouvindo. Temos sido amigos cheios de bons argumentos e com uma carga impressionante de sermões aparentemente piedosos. Contudo, expressões de misericórdia e amor não são vistas com tanta frequência em meio a tanta eloquência.

São tantos os amigos de Jó. Amigos que têm sempre uma solução aparentemente simples e óbvia. Amigos que têm muito conhecimento e uma ótima memória. Amigos que se apressam em tirar conclusões lógicas e razoáveis sobre diversas situações. Temos sérias dificuldades para demonstrar compaixão e uma incapacidade aguda de sentir a dor ou a alegria do outro.

Ninguém na Terra jamais mostrou tanta empatia quanto Jesus. Ele se identificou com cada pecador, sentiu nossas dores. Em toda a sua jornada, se pôs no lugar de cada um com quem se relacionou. Se alegrou na festa de casamento, chorou na morte de Lázaro. Seus atos demonstravam amor e compaixão. Lemos em Mateus 14 que, vendo Jesus “uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou seus enfermos”. Seus milagres são expressões não só de poder, mas, principalmente, de cuidado e amor.

Precisamos nascer de novo como amigos. É necessário compreender que um abraço pode ser mais cabível que um conselho bem pensado que foi apenas “pensado”. Talvez nossos amigos estejam se afogando em um mar de angústias. Bons conselhos podem ser a luz de farol para quem está perdido. Mas, o que podem fazer por alguém que está se debatendo, tentando, desesperadamente, se manter na superfície? Algumas vezes, precisamos entrar na água para ficar mais perto do que o outro está sentindo e mais longe de nossa zona de conforto. É preciso compartilhar os sofrimentos para que pesem menos, e é preciso compartilhar as alegrias para que se tornem mais amplas.

Que possamos aprender a sermos amigos com o nosso melhor amigo, Jesus.

*Imagem: Reprodução/Pinterest

Sterphane Castro

Sterphane Castro

Nada do que eu disser poderá me resumir em minha inconstância. Um sopro, uma onda, obra-prima totalmente dependente de Deus.
Sterphane Castro

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