Todas as músicas nos são lícitas, mas todas nos convém?

Face do símbolo de música
Connie Larsen: Dreamstime.com

Todas as músicas nos são lícitas, mas todas nos convém?

Conforme o dicionário da língua portuguesa, música é a arte de combinar os sons a fim de torná-los harmoniosos e expressivos, sendo composta por harmonia, melodia e ritmo  (com letra ou não).

Biblicamente a música não tem data exata de criação. As Escrituras afirmam que Jubal, um dos três filhos de Lameque, foi o pai daqueles que tocavam harpa e órgão (Gn 4.21), e Enos, um dos descendentes de Caim, foi o primeiro, registrado, a invocar o nome do Senhor por esse meio (Gn 4.26). Todavia, a música não é uma criação humana, ela já existia no céu antes da criação dos terráqueos, sendo que Satanás, enquanto Lúcifer, já jubilava a Deus nas moradas celestiais junto com os anjos.

A música é hoje, um dos mais poderosos veículos de informações, capaz de causar alterações em nossas ideias, pensamentos, sensações e sentimentos. Elas existem em vários estilos e gostos diferentes, como fruto de uma época e de um lugar, sofrendo influência da cultura de cada período. Por isso, aqueles que desejam servir a Deus de acordo com os parâmetros de sua Palavra devem tomar cuidados ao ouvir certas canções, porque tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém (1º Co 6.12).

A Palavra de Deus, todavia, não afirma que estilo musical se deve ou não ouvir, não havendo uma distinção tácita entre “a musica dos crentes e a musica dos descrentes”, surgindo entre os cristãos várias discussões sobre o pecado ou não de ouvir música que não sacra. Surgem assim discussões como: “a Bíblia não explica detalhadamente se pode-se ouvir músicas não cristãs”, “o Hino Nacional, não é uma música não cristã, cantá-la seria pecado?”, etc.

O primeiro passo a fazer é analisar o que se está ouvindo. De onde veio? O que o compositor está afirmando? Quais sentimentos essa canção desperta em mim? A letra dessa música está de acordo com a Palavra de Deus? Ora, “não porei coisa má diante dos meus olhos” (Sl 101.3), no nosso caso, não poremos coisa má diante de nossos ouvidos, para nelas meditar.

Precisamos entender que a Palavra de Deus é a fonte suprema de sabedoria para os cristãos e tudo que diferenciar dela deve ser considerado profano. Se eu desconsidero a Bíblia, logo, nego os alicerces do Cristianismo.

Ora, estamos em um mundo sujeitos a ver e ouvir tudo, mas quem escolhe o que permanecerá vendo ou ouvindo somos nós. Aquilo que nós escutamos musicalmente deve também passar pelo filtro de Filipenses 4.8, que diz: “Quanto ao mais irmão meus, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. Suas músicas seguem isso?

Filipenses 4.8 Tudo o que #puro (...) que ocupe vosso #pensamento.
Twitpic: @carlos_mts2012

1 – “VERDADEIRO”: aquilo que não é verídico não deve ser apreciado pelos que servem a Cristo. Não contamine sua mente com falsidades e mentiras, antes, forja-te como amigo de Cristo que não tem do que se envergonhar. Há músicas “cristãs” e “seculares” repletas de heresias. A Pergunta é: “está de acordo com os princípios de Deus?” Reflita em Salmos 119.160 e Oséias 4.6

2 – “HONESTO”: honesto é aquilo que “se comporta ou está de acordo com os preceitos éticos e sociais da de uma comunidade”. A Palavra de Deus é bem clara ao afirmar que devemos zelar pelo que é honesto, não apenas diante de Deus, mas também diante dos homens (2º Co. 8.21).

3 – “JUSTO”: justo é aquele que age conforme o padrão moral, aqui entendido, como moral cristã. Se o que eu ponho diante dos meus olhos e ouvidos faz apologia à guerra, à vingança, a pagar o mal com o mal, à traição… será que Deus irá se agradar? Cf.: Êxodo 23.8.

4 – “PURO”: Deus não quer que contaminemos nossa mente com impurezas de um mundo em que ele deseja que sejamos estrangeiros e peregrinos. Aquilo que é impuro é que está contaminado. O que temos ouvido é puro, ou está envenenado com filosofias antibíblicas? Nossas músicas são puras ou imorais? Elas promovem o sexo ilícito, o namoro sem compromisso, o divórcio, a pornografia, a masturbação…? Ora, as obras da carne são manifestas nos termos de Gálatas 5:19-21.

5 – “AMÁVEL”: amável é o que deve e merece estar sob o sentimento de amor, demonstra simpatia e também cortesia. “Não retenhas o bem de quem o merece, estando na tua mão poder fazê-lo” (Pv. 3.27). “Mostrai bondade e misericórdia, cada um ao seu irmão” (Zc. 7.9b). “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef. 4.32).

6 – “DE BOA FAMA”: diz respeito ao que é de boa reputação, de bom renome. Não vamos permitir que, com a frase “quem cuida da minha vida sou eu”, nós venhamos causar vergonha ao Corpo de Cristo (a Igreja). O próprio Jesus disse que “É impossível que não venham os escândalos, mas ai daquele por quem vierem!” (Lc. 17.1.). Por exemplo, se na comunidade em que você vive, determinado estilo musical soa pejorativo, e você sabe que a sociedade repudia como algo imoral, ou violento, ou ruim, etc., será mais prudente então não ouvir ou cantar.

7 – “VIRTUDE”: virtuoso é aquilo que se encontra de acordo com um padrão, aqui, o padrão bíblico. Analisemos, pois, se o que ouvimos está ou não de acordo com o que a Bíblia considera virtuoso.

8 – “LOUVOR”: somos estrangeiros e peregrinos nessa terra e, enquanto estivermos aqui, uma das nossas funções é adorar, e uma das formas de adorar, é louvando, e o louvor diz respeito a manifestação de agradecimento. Ser cristão e não ser grato a Deus, adorando-o por isso, é a mesma coisa de ser evolucionista e acreditar que primeiro vieram os primatas e eles se evoluíram em bactérias. Um dos maiores deveres e também uma das maiores honras que o homem possui é poder adorar ao Deus que o criou, que o sustenta, que o redimiu, que o ama, que o cuida… e o levará para um sublime lugar junto de si. Se uma canção, inclusive cristã, glorifica o homem, ou uma filosofia ou qualquer outra coisa acima de Deus, acho que até os ateus concordam que não é algo saudável para um cristão ouvir.

Portanto, a questão vai muito além de a música ser cristã ou não. Existem músicas seculares que trazem muitas verdades bíblicas. Vamos orar por seus compositores. Em contrapartida, existem músicas cristãs que estão nos mais altos níveis de apostasia e profanação. Todos os dias temos a responsabilidade de filtrar e escolher, à luz da Palavra de Deus, o que ouvimos, o que assistimos, etc.

Amados, isso é para o nosso próprio bem. Deus quer que nós tenhamos uma mente saudável, limpa, crítica. Ele não quer que fiquemos ouvindo canções que nos causem tristeza, que aflija o espírito, que incite à violência… Deus quer que os que o adorem, o adorem em espírito e em verdade :).

     Ademais, as músicas não cristãs normalmente não vão lhe trazer edificações, embora existam exceções.

Há músicas cristãs de alta e boa  titulação. Porque ouvir então uma canção advinda de mero interesse comercial, se temos canções de qualidade, em muitas vezes, até superior, feitas para edificação espiritual, com letras e melodias de alto nível, entre cantores cristãos?

Melhor honrarmos e valorizarmos aqueles que estão no mesmo barco que nós, na luta diária para tentar produzir algo bom e útil para o “aperfeiçoamento dos santos”.

Imagem contemporânea de uma Bíblia e de um telefone celular
Gay Cooper: Dreamstime.com

 

Referências: 

Dicionário Online da Língua Portuguesa. Música. Disponível em: www.dicio.com.br/musica/. Acesso em: 19 de Abril de 2016

TON, David Johnathan. Panorama do pensamento cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.498).

Biblia Sagrada

Revista da Escola Dominical – Lições Bíblicas Juvenis, 1º Semestre de 2016

Davvy Lima

Davvy Lima

Prisioneiro de mim mesmo. Pecador treinando no erro. Agradecido pela graça na cruz, tentando viver a simplicidade da vida com Jesus.
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