Reflexões sobre o Poder das Decisões, em O Sobrinho do Mago (As Crônicas de Nárnia)

REFLEXÃO SOBRE O PODER DAS DECISÕES, EM O SOBRINHO DO MAGO (AS CRÔNICAS DE NÁRNIA)

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Pauline Baynes / Google Imagens

Conforme muito pedido por nossos queridos leitores, trazemos nesse texto uma das reflexões sobre o livro “O Sobrinho do Mago”, de 1955, do autor cristão anglicano Clive Staples Lewis, é o primeiro da ordem cronológica da série As Crônicas de Nárnia, e o sexto a ser publicado.

A aventura inicia quando Polly conhece seu novo vizinho, Digory. Eles se tornam amigos e passam as férias de verão brincando no quintal da casa de Polly. Mas, as crianças se cansam das brincadeiras rotineiras e se desafiam a explorar novos territórios, entrando em um túnel do sótão da casa de Polly, onde descobrem que todas as casas da vizinhança são ligadas umas as outras por intermédio desse túnel.

Eles decidem se arriscar a chegarem a uma mansão abandonada ao lado da casa de Digory, mas acabam caindo no laboratório do misterioso tio André.

Depois de muito assustar as crianças, tio André (tio de Digory) oferece um anel para Polly. Havia dois pares de anéis: um amarelo e outro verde. Um possui o poder de levar quem o tocar para um outro mundo, chamando de “Bosque entre dois mundos”, e o outro, é capaz de trazer quem o tocar, de volta para o lugar de origem.

Por meio das trapaças malvadas do tio André, as crianças acabam parando no Bosque entre dois mundos e, movidos pela curiosidade, vão ao reino adormecido de Charn, onde acordam a malvada Rainha Jadis, responsável pela destruição do seu povo.

A partir daí, a história enche-se de aventuras, cheia de idas e vindas entre os mundos, até chegarem em um lugar que contemplam o exato momento da criação do universo de Nárnia, que vai se formando de acordo com a melodia cantado pelo Leão, Aslam, fazendo referência a criação bíblica descrita em Gêneses.

A história contém muitas discussões importantes, como o fato de Aslam, o leão, ser uma referência à Deus; a penetração do mal nesse mundo; e outras. Mas o que quero destacar, do livro, é a verdade implícita em todos os capítulos, de que o homem tem o poder de escolha quanto a praticar ações e tomar decisões boas ou más que aparecem ao longo da vida, e que o futuro de alguém, normalmente, refletirá as decisões tomadas no presente.

No desenrolar da história, C. S. Lewis nos confronta fortemente com o nosso poder de escolha diante das situações da peregrinação terrena. Cada personagem vai tomando decisões que refletem de alguma forma em momento posterior no desenrolar da história.

No escolher entre as diversas possibilidades diárias existentes, vários fatores influenciam no nosso pensar, tais como a dúvida, a desconfiança, a falta de fé, a curiosidade, o sentimentalismo exacerbado ou a frieza exagerada, as boas ou más amizades, os dilemas econômicos, os desafios familiares, e vários outros, que podem ter papel decisivo nas nossas tomadas de atitudes e, consequentemente, em nossa vida.

Todavia, não podemos nos deixar guiar pelas aparências e desejos do coração, pois nossas decisões conduzem o nosso caminhar, e enganoso é o nosso coração para nos fazer tropeçar. Ademais, nossa tendência é escolher sempre o caminho aparentemente mais fácil. No entanto, fácil não é sinônimo de melhor.

Deus nos deu a liberdade de escolher. Todavia, uma vez semeada uma decisão, não temos poder de mudar a tipo de fruto que ela germinará. Em Gálatas 6:7, o apóstolo Paulo deixa claro que aquilo que o homem semear, é o que colherá. E o que estamos semeando? Frutos de morte ou de vida eterna? Nossas atitudes dão testemunho do amor de Cristo em nós? Nossas escolhas refletem os princípios de um cristianismo genuíno? Até que ponto temos sido imitadores de Cristo? Afinal, o nosso semear advém do nosso coração, fruto das emoções e do aparente correto racionalismo do nosso eu, ou derivam da Palavra de Deus e da consulta ao pai em oração e dependência?

Muitas vezes nossas escolhas são desastrosas porque decidimos ela conforme o nosso entender. Mas não estamos sozinhos nesse mundo. Nem controlamos o curso da nossa própria trajetória.

Quando estivermos diante de uma encruzilhada, coxeando entre pensamentos, nossas escolhas não podem está baseadas nas circunstâncias, na aparência, mas nos planos do Senhor para a nossas vidas. É preciso que façamos um clamor diário para que o Salvador entre em nosso viver e direcione o nosso coração. Se tudo está dando errado, descanse em Cristo, os desejos dele ultrapassam todo entendimento e, tudo coopera para o bem daqueles que servem a Deus. Observe, que tudo fica melhor com Cristo:

“Quando as coisas vão mal, parece que vão de mal a pior durante certo tempo; mas quando começam a ir bem, parecem cada vez melhores.” ( pg. 96)

A escolha é uma decisão particular, individual, e implica em nosso futuro. Deus não quer que colhamos destruição, por isso deseja que nós plantemos o que é bom e correto (Provérbios 11.18). Não devemos tomar decisões que nos levem a corrupção espiritual, mas escolher as sementes que nos conduzem à vida eterna (Gálatas 6.8).

O Senhor deseja ver refletido o amor dele em nós, em nossos relacionamentos, nossa profissão, nossos talentos e dons… Quanto deixamos que Cristo guie o barco no tenebroso mar da vida, e nos colocamos como dependentes de sua graça e misericórdia, nada que ele deseje para nós, nos faltará. Ora, os sonhos de Deus são maiores que os nossos.

Os personagens de O Sobrinho do Mago foram confrontados pelas circunstâncias a tomarem várias decisões, e tiveram fins diferentes conforme as decisões que tomaram. Digory conseguiu a cura para a enfermidade de sua mãe. O cocheiro e sua esposa Helena, se tornam o primeiro rei e rainha de Nárnia. Etc. E você, o que deseja para o seu viver? Lutar sozinho no campo de batalha da vida, ou descansar à sombra do Onipotente?

Muitos tem decidido navegar só, e tem se frustrado em seus relacionamentos; estão desamparados por seus amigos e familiares; ficaram deprimidos e sem esperança e perspectiva de um futuro melhor na profissão, nos estudos e nos projetos que ruíram. Nós não viemos ao mundo para viver sozinhos. Deus não nos abandonou. Ele é real, sua presença é calorosa e seu cuidado para conosco excede todo entendimento.

O Senhor conhece os teus planos. Mas Ele tem para ti, sonhos maiores que os teus. Ele mesmo disse:

“[…] planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro” (Jeremias 29:11).

Se você já tomou decisões precipitadas e as consequências estão sendo severas, pare um pouco. Reflita. Se precisar chore. Mas não fique parado por muito, recomece do jeito certo.

“chorar ajuda por um tempo, mas depois é preciso para de chorar e tomar uma decisão”.

Decida deixar teus planos e desejos no centro da vontade de Deus e da sua Palavra.

Nosso Salvador cuida de nós, e não quer que andemos ansiosos, tomando decisões sem antes apresenta-las a Ele com sinceridade e espírito de um filho que quer saber a vontade do Pai. Quando isso acontece, ele nos faz deitar em verdes pastos e guia-nos mansamente a águas tranquilas; refrigera a nossa alma e nos conduz pelas veredas da justiça. Ah, e se o desespero atingir nosso coração, não precisamos temer mal algum, porque Ele estará conosco, e a sua bondade e misericórdia nos seguirão todos os dias de nossa vida e com ele habitaremos e em seus braços encontraremos abrigo, carinho, consolo, sabedoria e amor, sempre.

Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os teus caminhos e ele endireitará em suas veredas” (Provérbios 3:5-6).

 

* Imagem destacada: capa do livro As Crônicas de Nárnia (volume único), editora Martins Fontes

Davvy Lima

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Prisioneiro de mim mesmo. Pecador treinando no erro. Agradecido pela graça na cruz, tentando viver a simplicidade da vida com Jesus.
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