Vejo o medo no seu olhar

“Ela saiu, sozinha

Longe de casa está

Mal se despiu ao mundo

Vejo o medo no seu olhar

A minha menina

Me olha nos olhos e pede socorro

Eu digo a ela:

“Não venda o teu corpo. Segura a tua alma, menina

Me espera, menina”

                                                Palavrantiga

 

Caros leitores, é sempre meio preocupante falar de assuntos que possam não agradar a todos, mas mediante a determinadas situações que ocorrem em nosso país, é impossível calar a voz. E hoje escrevo por muitos jovens Cristãos que assim como eu estão indignados com a situação da Jovem estuprada por 33 homens.

Confesso que ao saber da situação da jovem de 16 anos estuprada, fiquei bem comovido, quem já passou por situações como esta dentro da própria família, sabe que essa situação não é brincadeira, nem tampouco pode passar em branco. Falo isso porque desde que o assunto veio a tona nas redes sociais, conseguir ouvir os piores tipos de abusos a respeito da situação da menina estuprada, coisas como: “Mas será que ela não procurou?”, “Se estivesse em casa, não teria acontecido”, “Se estivesse na Igreja…”, “Mas ela teve filho com 13 anos, daí já sabe né?”, “Se ela não estivesse em um baile”, “Se ela estivesse com roupas adequadas?”.

Queria está mentindo a respeito disso, e até mesmo acreditar que esses tipos de comentários estavam fora do mundo real, mas não, estamos falando da realidade. Às vezes me pergunto que tipo de Cristianismo e que tipo de amor que tanto pregamos estamos vivendo.

No mesmo dia em que repercutiu a noticia da menina de 16 anos estuprada, ocorriam em todo Brasil a marcha para Jesus. Olha, não quero sair aqui criticando ninguém por apoiar o movimento, ou questionar se falaram ou não falaram desse assunto durante a marcha. Mas será que nosso Cristianismo não está mais preocupado em defender o “orgulho cristão”, ao ter que mostrar Cristo como de fato ele é? Às vezes me pergunto que tipo de impacto a marcha tem causado se estamos gastando mais dinheiro com figuras do meio gospel para “adorar” e mostrar Cristo através de um movimento que sai às ruas, mas pouco estamos se importando para assuntos de cunho mais social, em ajudar os que estão na rua (órfãos e as viúvas).

O bispo Hermes C. Fernandes, postou algo em seu Facebook que muito me chamou atenção: “Se sua dor não for a nossa, então, teremos tomado parte desta monstruosidade. Que Deus tenha compaixão dela e todos nós.” Sempre converso com Davvy Lima, outro colunista aqui do blog, que tem sido meu conselheiro e parceiro nesse movimento, e outro dia destacamos que a Igreja de Cristo precisa ter voz sim, a Igreja precisa declarar Cristo, e em meio a tantas atrocidades, sair dos aparelhos e continuar respirando. Porém não como se destaca os movimentos, precisamos mostrar Cristo através de atitudes, não declarando guerra ou brigando por assuntos desnecessários, precisamos espalhar mais amor do que ódio.

“A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1:27)

Quando falamos sobre a verdadeira religião que Cristo nos colocou, falamos dos órfãos e viúvas, fazendo analogia aos que mais precisam, aos mais discriminados, os piores tipos de pessoas segundo a sociedade. Eu sei que o homem é mal, e a única forma do mesmo se tornar bom ou lutar para ser bom, é por meio de Cristo.

Além de pensar na questão da menina que foi estuprada por 33 homens, eu também pensei nesses 33, não como vitimas da sociedade, mas como 33 homens carentes e necessitados da Glória de Deus. Eu desejo que esses rapazes paguem pelo crime que cometeram, desejo porque eles foram criminosos, e merecem responder pelos seus atos, mas, mesmo quando meu espírito de revolta vem até minha pessoa, e me diz que esse tipo de crime merece morte, eu lembro que também não sou digno. O que quero dizer com isso é que devemos orar por esses 33 homens para que eles se arrependam e busquem ao Senhor enquanto se pode achar. Que sejam julgados conforme a justiça dos homens, mas oremos entendendo que Deus pode transformar os piores corações.

Quando iniciei com a música “Minha Menina”, do grupo Palavrantiga, quis retratar sobre a situação da moça e de varias outras mulheres, quanto ao medo no olhar, quanto ao medo de ser mulher e ser estuprada, agredida verbalmente e fisicamente. Precisamos ter respeito pelas mulheres, não comparando as mesmas com nossos parentes, mas porque as mulheres merecem ser respeitadas e amadas. Ainda é triste ver que muitas igrejas distorcem o conceito de submissão, não permitindo que mulheres e homens entendam que ser submissa, é viver como Cristo viveu aqui na terra, ele não foi escravo, ao contrário disso foi livre, e precisamos reforçar que o papel do homem é morrer por sua esposa se for necessário. Não gosto de pensar o homem ou a mulher acima um do outro, mas pensar os dois caminhando juntos para Cristo, cada um entendendo seu papel no Corpo com diferentes membros.

Quanto a esta jovem de 16 anos, quanto às milhares de mulheres violentadas, façamos como a música Minha Menina:

Olha pra mim, te trouxe o bem

É a Boa Nova Vejo você sorrir

Vem caminhar, ouvindo a canção

É esperança, é doce chuva que cai

Sobre ti”

Que possamos levar a Boa Nova, sem julgar quem errou, sem jogar na menina pedras, se foi ou não foi, a partir da sua conscientização que ocorreu o ato, precisamos chama-la a viver a Boa Nova, não somente ela, mas também os 33 homens que precisam aprender mais de Cristo, para saber como a mulher deve ser realmente tratada. Que possamos mostrar que Cristo ainda vive e que a Igreja respira. Que possamos abraçar, que possamos chorar e sorrir juntos. Que o amor de Cristo seja a Esperança que renove nossas ações em toda a sociedade. Que nosso reflexo de Cristo, não seja nas marchas, e se for, que as elas mostrem que Igreja marcha em favor dos que precisam de um abraço.

Cristo Vive! Cristo está presente! Que nossa comoção seja para mudar nossas atitudes, vivendo mais de Cristo e menos do mundo.

Oremos pela jovem de 16 anos, oremos pelos 33 homens, e oremos por nossas atitudes.

Que Deus nos ajude a caminhar!

Hinckley Mendes

Hinckley Mendes

Um garoto cheio de dúvidas, tentando parar de correr atrás do vento, um insistente do erro, um pecador achado, o menino mimado que Deus ainda chama de filho.
Hinckley Mendes

Últimos posts por Hinckley Mendes (exibir todos)