Um ato de amor e fé em Cafarnaum

Um ato de Amor e Fé em Cafarnaum

 

Era um dia qualquer em Cafarnaum. Mas logo a novidade se espalhou:

– O Mestre está na cidade, vamos ouvir seus ensinamentos e ver as maravilhas que ele faz.

Os fariseus também ficaram sabendo e também decidiram ir ver o visitante:

– O homem de Nazaré está por aqui. O filho do carpinteiro. Vamos pegá-lo em suas blasfêmias.

De repente a casa encheu. Havia inúmeras pessoas em volta da casa. A algazarra era tamanha. Uns gritavam:

– Viva o Filho de Deus.

Outros reclamavam:

– Vamos prender esse blasfemador.

Haviam muitas pessoas. Muitas pessoas mesmo. Quem ouvisse o barulho de longe com certeza pensaria que estava havendo alguma festa. Oh, haviam vozes tão alegres, como aquelas que a gente ouve nos condados, onde moram os hobbits.

Oh não! Mas nem todos estavam alegres. Do lado de fora da casa do mestre há 04 homens em pé, que carregam outro homem em um leito, com fé que o Mestre poderia curá-lo. Mas a multidão era grande, e não os deixava passar. Quão tristes os semblantes. Tanta fé em Jesus. Tanta esperança na cura. Tanto amor por um amigo que se encontrava enfermo. Mas a multidão…

Ah a multidão….

– Olhem, há uma escada ali. Vamos subir e descê-lo pelo telhado. Disse um amigo.

– Como que vocês vão perfurar um telhado? Disse alguém na multidão.

– O que vocês acham que o Mestre vai fazer se vocês destruírem o telhado da casa?

– Quanta inconveniência!!! Disse mais alguém.

Ah, a multidão. Novamente se ouvem reclamos da multidão. Mas não é do lado de fora. É dentro da casa.

– Ops. Cuidado.!!!

– Jesus, estão derrubando o telhado!!! Socorro…

Realmente devia ser constrangedor, porque as casas daquela época tinham telhados feitos com pesadas vigas de madeira, trançadas com varetas e cobertas de barro.

Mas, em pouco tempo uma cama foi descida até o chão e o paralítico posto no meio da reunião.

Um amontoado de par de olhos fitam o homem no meio da casa.

Um paralítico assustado, com medo, tremendo.

Respiração ofegante.

Coração acelerado.

Vergonha, temor, insegurança e outras coisas nojentas que costumamos sentir quando estamos no chão com várias pessoas em pé a nossa volta…

Um olhar cansado, mas cintilante, direciona-se para o telhado da casa e encontra 04 olhares arregalados, assustados…… Talvez pensando: “o que foi que fizemos”, “Estamos lascados”…

Nem uma palavra conseguia sair de seus lábios, mas Jesus ouvia o que diziam em seus corações. Sabe, coisas como aquelas de “Jesus, a gente concerta tudo, mas cura nosso amigo”, “tenha misericórdia de nós”, e mais um monte de pensamentos acelerados e conturbados que mudam constantemente.

Ah, mas sabe quando mesmo em meio ao nada você tem fé? Lembra da fé de Lúcia sobre Aslan, na história do Príncipe Caspian, em Nárnia? Pois é, daquele jeito mesmo.

Os 04 amigos lá em cima da casa só conseguiam, além do desespero, ter fé em meio a tormenta. Sabiam que se Jesus quisesse, seu amigo sairia dali curado, não importando as consequências que iriam advir sobre eles pela conduta socialmente antiética de terem “invadido” uma residência.

Talvez eles esperassem agora apenas condenação. Todavia, as Escrituras registram que o Mestre olhou para a fé daqueles homens. Marcos 2.5. é bem claro ao dizer que “E Jesus, vendo a fé DELES […].

O Mestre então disse ao paralítico, vendo a sua fé e de seus amigos:

“Homem, perdoados são os teus pecados” (Lc 5.20).

E disse mais:

“Levanta-te, toma o teu leito e vai para sua casa” (Lc 5.24,b).

Eu não consigo descrever e nem imaginar o sentimento que subiu ao coração dos que ali estavam, mas posso afirmar que:

“[…] todos ficaram atônitos e glorificavam a Deus e, cheios de temor, diziam: ‘Hoje vimos coisas extraordinárias'” (Lc. 5.26).

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Reprodução: Elevados.com

Uma das maiores lições que tiro dessa história, e compartilho com você, amado e querido leitor, é como nossas amizades possuem elevado poder de persuasão que nos aproximam ou nos afastam das bênçãos de Deus. Elas influenciam-nos para mais perto ou para mais longe das bênçãos do Senhor.

O sábio Salomão disse que há amigos mais chegados que irmãos e que aqueles que andam com os amigos sábios tornará, pois, mais sábios, mas que os que andam com os tolos acabarão mal (Provérbios 17.17 c/c 13.20).

O rei sábio ainda aconselha a não abandonarmos uma boa amizade (Pv. 27.9-10). Disse ainda que melhor é ter amigos do que andar sozinho, porque se um cair, o outro ajuda a levantar (Ec. 4.9-10).

O próprio Jesus decidiu não chamar os discípulos de servos, mas de amigos (Jo. 15.15) e Paulo, escrevendo para os romanos, enfatizou que os irmãos em Cristo deveriam se dedicar uns aos outros com amor fraternal (Rm 12.10).

É notável que a Palavra de Deus leva a sério os atos de amor ao próximo. De amizade. De cuidado. De carinho…

Em nossa comunidade global, esses conceitos parecem perder o sentido. Ter amigos se tornou algo fútil. Possuir amor se tornou obstáculo para o profissionalismo do comércio de selvageria capitalista.

Ah, olha o que fizeram com o amor. Estão tentando desqualificá-lo. Estão perdendo a fé no amor como Susana perdeu a fé no mundo de Aslan. E assim, a passos largos para o florescimento de um mundo do próprio eu, caminha a humanidade.

Mas Jesus olhou a fé dos 04 amigos do paralítico. Fé de alguém que ama e quer o melhor para seu semelhante. O amor é paciente, é bondoso, não inveja, não vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus próprios interesses, não se ira, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta […].

Amor, amizade, fraternidade, carinho, altruísmo e outras palavras são cada vez mais excluídas de nosso mundo pós-moderno globalizado. Mas isso não significa que todos seguem esse sistema.

Há algumas pessoas que decidiram ir na contramão. Que se mantém como estrangeiros nessa terra, vivendo para servir ao Reino. Peregrinando de acordo com as ordenanças dada pelo Rei dos Reis em suas sagradas Escrituras. Abandonando o velho homem e mortificando-se todos os dias para viver a vontade do Reino, por mais absurdas que em nossa sociedade elas possam parecer.

Há uma galera que, parafraseando C.S.Lewis, está do lado de Deus mesmo que para muitos Deus não exista. Vive como cidadão de uma Nova Jerusalém, mesmo que para muitos ela não exista. Conserva aqui uma vida de amor, porque entende que ela é como um ensaio para a existência eterna de amor que está por vir.

Agora pois, queridos, vivam o amor. Vivam perdão. Conservem-se como se vocês fossem de outro mundo, porque realmente não somos cidadãos desse aqui.

Sejamos benção em amor e amizade na vida de todos os cansados e oprimidos que precisam de nós, para que assim possamos levá-los até Jesus, como fizeram os 04 homens em Cafarnaum.

Levemos nossos amigos ao Senhor, pois o nosso Deus é o que sacia a sede do sedento, cura as chagas dos feridos, dá descanso aos sobrecarregados […].

Vamos conduzir ao Senhor, todos os que estão em caminho da morte, porque ele veio para que todos possam ter vida, e vida abundante.

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Levemos à Ele todos os sedentos, e ele dará de beber da água que saciará a sede.

Venha ao Senhor Jesus todos os que estão cansados e oprimidos e Ele os aliviará.

 

 

 

  • REFERÊNCIAS

Bíblia de Estudo Defesa da Fé.

Bíblia Sagrada Online: Nova Versão Internacional. Disponível em: https://www.bibliaonline.com.br/nvi

C. S. Lewys. As Crônicas de Nárnia.

Davvy Lima

Davvy Lima

Prisioneiro de mim mesmo. Pecador treinando no erro. Agradecido pela graça na cruz, tentando viver a simplicidade da vida com Jesus.
Davvy Lima

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