Até que nada mais importe


ATÉ QUE NADA MAIS IMPORTE (FILIPENSES 3.7-11)

 

Em Filipenses 3.7-14 o apóstolo Paulo abre seu coração para declarar como ele se sente como um novo homem, uma nova criatura em Cristo Jesus. Ele comenta o que é a vida dele após conhecer a Jesus.

O apóstolo diz que tudo o que ele considerava como ganho na sua vida antes de Cristo, ele passou a considerar como perda após conhecer a Cristo. Todas as coisas que pareciam ser excelentes perdeu o valor e as considera como esterco quando comparadas a coisa que preenche a sua vida na plenitude: “ganhar a Cristo e ser achado nele” (vv. 8,9).

Paulo diz que o desejo maior de sua vida é ser achado em Cristo, nos braços de Cristo. Ele deseja que a justiça de Deus venha sobre sua vida, que ele possa conhecer a Deus na virtude de sua ressurreição conforme a sua morte, ou seja, morrendo/entregando a si mesmo, o velho homem, para que possa chegar à ressurreição com Cristo, como um novo homem, uma nova criatura. Paulo anseia em conhecer a Cristo em todas as dimensões de sua vida.

Vivemos um tempo em que a fé em Cristo tem sido constantemente bombardeada e assim como Paulo, no início, temos também muitas coisas que julgamos importantes em nossa vida. Não é para menos, somos incentivados desde crianças a crer e a lutar por todas as coisas que possa nos fazer felizes: dinheiro, sucesso, fama, felicidade, amigos, relacionamentos amorosos, liberdade, direitos, emprego, reconhecimento social, cargos, saúde, beleza, estudos, e tantas outras; mas menos a buscar a Palavra de Deus, onde há plenitude de felicidade.

De certa forma, isso é extremamente preocupante porque o nosso Deus é o nosso Criador e como nosso criador é Ele que sabe do que precisamos. As teorias e palavras do homem às vezes são boas, mas não trazem vida plena, que só é encontrada na fonte de Água Viva, e essa água jorra da Palavra de Deus.

A falta de direcionamento divino e a construção de projetos para as coisas da nossa vida terrena sem saber qual seja a perfeita e agradável vontade de Deus tem levado à humanidade a cometer os mais perigosos erros, vivendo infeliz em todos os setores da vida. Vivendo de maneira incompleta e muitos males decorrentes dessa incompletude tem machucado a nossa linda geração (ansiedade, estresses, depressão, solidão…).

Deus tem um oceano para nos dar, mas muitas vezes preferimos mergulhar nos lagos e represas dos nossos sonhos ao tomar nossas decisões e arquitetar nossos projetos sem o alicerce da Palavra e da Vontade de Deus, sem o qual o castelo de sonhos é fadado à infelicidade, a menos que o Senhor tenha de nós, misericórdia. E é justamente pela misericórdia do Pai, que não somos consumidos em nós mesmos (Lamentações 3.22).

Ás vezes as ruas dos nossos planejamentos, sonhos e felicidades são atacadas e os portões e muros dos nossos sentimentos interiores são sucumbidos porque Deus tem sido o segundo plano.

Quando nos encontramos perdidos em nós mesmos costumamos perguntar: O que fazer? Porque? E Deus permanece do nosso lado aguardando nós o convidarmos para construir a ponte junto conosco.

Ele nos criou à sua imagem e semelhança, mostrou a maior prova de amor na cruz e, ainda assim, quer nos ajudar a reconstruir os muros, levantar os portais e preencher as feridas da nossa alma. Mas, normalmente preferimos caminhar para o penhasco do fracasso, da solidão, da depressão, da infelicidade, da insegurança e do medo. Nada disso acontece quando o justo vive pela fé (Romanos 1.17).

Quanto perdemos a confiança em Deus e em suas promessas almejamos para nós mesmos uma derrota antecipada. Às vezes percebemos que estamos à deriva, sem direção e até desejamos voltar atrás e recomeçar tudo segundo a vontade de Deus, mas as acusações, a vergonhas, o medo e, até mesmo o orgulho, nos fazem recuar.

Ora, mas isso não é necessário, pois Deus nunca deixou de ser nosso  Pai, mesmo que nós venhamos a deixar de agir como seus Filhos. O pecado nunca mudou o coração de Deus, apenas tem mudado o coração do homem.

Em todo tempo é tempo de mudança de mente, de mudança de coração, de convidar Deus para nos fazer companhia na caminhada. A peregrinação a sós é perigosa. Sempre há animais ferozes nas trilhas da peregrinação.

O andar com Cristo traz alegria e plenitude de paz interior, confiança e comunhão. Mas essa caminhada exige renúncias. É preciso dizer não a esta vida, dizer não a este sistema.

Então podemos dizer: mas a peregrinação cristã não é fácil porque eu preciso crucificar a minha carne. Sim, realmente viver com Deus nem sempre é fácil, mas é a única caminhada que importa.

Mas não se preocupe, essa renúncia não são por nossos próprios esforços, não é por imposição, ela é gradual e ocorre do relacionamento e intimidade com Deus. Quando mais amizade vamos construindo com Ele, mas parecido nos tornamos Dele e mais distantes do nosso antigo EU nos tornamos. O julgo é suave e o fardo é leve, porque o peso Ele já carregou na cruz (Mateus 11.28-30).

Às vezes lemos algumas coisas da vontade de Deus que nos parece absurdas, não é mesmo? Como Deus pode querer isso de mim? Eu nunca serei capaz de ser um cristão. Realmente, nunca conseguimos cumprir a lei por nós mesmos, porque a nossa carne milita contra o nosso espírito (Gálatas 5.17). Por isso mesmo que Deus envio seu Filho para que nos desse vida e não nos deixasse perecer (João 3.16). Por isso mesmo que a cruz de Cristo nos enxertou em Deus, ele é a Videira Verdadeira, e enxertados nele produzimos fruto, afinal, sem Ele, nada podemos fazer (João 15.5).

Por isso, por mais absurda que possa parecer a vontade do Pai aos nossos olhos humanos, no fim de tudo os sonhos de Deus serão os únicos que farão sentido, porque é o único capaz de produzir vida, e produz em abundância (João 10.10).

Não é necessário muita coisa. Basta apenas decidirmos viver uma amizade e um relacionamento com Deus. Para nós basta apenas confiar no Senhor de todo o coração, não nos estribar no nosso próprio entendimento e que, quando começarmos a ter intimidade com Ele, vamos reconhecer Ele em todos os nossos caminhos e, então, Ele é quem endireitará as nossas veredas (Provérbios 3.5,6).

Caminhar com Deus possibilita algo que o homem tanto busca e não encontra: LIBERDADE. Muitas vezes temos medo de encarar essa nova vida. Mas aqueles que decidem entrar nos Santo dos Santos não consegue mais viver longe dessa glória, porque é um lugar de descanso, de refrigério, de verdade, em que não há influências das pessoas, em que há vitória em meio a guerra, em que a inconstância não nos domina, em que a paz interior. Quanto mais se perde do velho homem, mais se ganha vida no novo homem.

Quando nascemos de novo, não é dificultoso conciliar as tantas caminhadas da minha vida profissional, acadêmica, sentimental…. com a caminhada com Deus, porque passamos a encontrar Jesus nos mínimos detalhes, em todos os nossos caminhos (Provérbios 3.5).

Por isso, vamos convidá-lo para está em todas as demais caminhadas conosco. Vamos levar Jesus para dentro das nossas caminhadas e levar todas as nossas caminhadas para a grande peregrinação rumo ao Reino.

Quando vivemos momentos com Deus não nos preocupamos com os desafios, com o ardor das outras caminhadas materiais, pois ele sempre tem os conselhos que trazem vida eterna, tem o amparo, a graça, o cuidado, o carinho, o direcionamento e o abraço que só um Pai sabe dar.

Se levarmos Jesus para o centro de nossas vidas, a luz dele resplandecerá em todas as áreas e caminhadas de nossa existência, de modo que não mais haverá outra preocupação além de fazer a vontade dele.

Se nos equilibrarmos em Deus, as coisas velhas que antes nos prendiam perde o valor, ou como o apóstolo Paulo diz: serão consideradas como esterco. Chegará o momento que nada mais importará.

Se tomarmos a decisão de caminhar com Deus devemos nos preparar para perder o equilíbrio em outras áreas de sua vida que nos prende as coisas velhas e passageiras, pois quanto mais intimidade tivermos com o Pai, mais desequilíbrio haverá no nosso velho homem, porque se fará novo, e o novo homem começará a surgir, com outros interesses.

Desejos. Amizades. Namoro. Sentimentos. Vestimentas. Sonhos… Tudo passará a entrar em sintonia com o NOVO de Deus. Mas para que haja esse NOVO, é necessário que as coisas velhas sejam desequilibradas, sejam mortificadas, até que nada mais tenha valor.

É esse processo de transformação que muitas vezes nós não queremos passar, porque a nossa vida parece tão boa, com nossas amizades frágeis, com nossas mágoas e vinganças planejadas, com nossos relacionamentos cheios de brigas. Já estamos acostumados a nossa vida.  Sentimos como parte de nós os nossos estresses para alcançar a fama, o nosso desejo de ser reconhecido, as nossas tristezas levemente cobertas pela embriaguez… Todavia, quando estamos com Deus os sonhos, planos, projetos e metas do velho homem são mortos e a única vontade é “ganhar a Cristo e ser achado nele” (v. 8,9) até que nada mais importe.

Muitas vezes Cristo é o que menos importa em nossas vidas porque vivemos a nossa fé de informações de quem Deus é. Apenas do que ouvimos falar do Cristianismo. Vivemos a nossa fé por meio das pregações, do louvor, da confiança. Mas as informações não nos leva a conhecer a Deus. O Cristianismo não é teoria, é prática constante de vida.

De fora vemos Deus segundo nos dizem que Ele é. É necessário entrar nele para sabermos como ele realmente é. E depois que entramos em seus átrios, depois que entramos no Santo dos Santos, não saberemos mais viver de outra forma, porque lá nos sentiremos completos. Lá é preenchido o vazio que grita na alma da humanidade. Lá somos preenchidos de Deus.

Vamos juntos esquecer as coisas que para trás ficam e avançar para o alvo do prêmio da soberana vocação de Deus, Jesus Cristo?

 

* Fonte da imagem: Guilherme e Banda.

Davvy Lima

Davvy Lima

Prisioneiro de mim mesmo. Pecador treinando no erro. Agradecido pela graça na cruz, tentando viver a simplicidade da vida com Jesus.
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