Entre armas

Já está tarde, já deveria estar dormindo, amanhã tenho que ir para o laboratório mais cedo do que o habitual. Mas eu não consigo… durante a tarde estive no Cine ABUB-Marabá e não consigo esquecer os sons do filme “Até o último homem”. Sim, você leu corretamente, eu escrevi SONS, não é porque eu tenha cegueira, é porque eu não consegui assistir ao filme, além de não conseguir encarar as cenas, passei boa parte das cenas com os olhos encharcados de lágrimas.

Eu não conseguia olhar para as cenas, cada vez que eu levantava a cabeça para ver, eu sentia me angustiada, é duro saber que aquelas cenas são retratos parciais do que houve na história da humanidade. A guerra traz consequências inexplicáveis. Em psicologia existem diversos estudos com soldados sobreviventes de guerra e as sequelas são horríveis, mas além disso, quando eu olhava eu simplesmente chorava por termos chegado a esse ponto: a raça humana, criada a imagem e semelhança de Deus ter se rebaixado a ponto de matar o próximo de modo cruel, usando a sabedoria deixada por Deus para destruição em massa. Como chegamos a esse ponto?

Cada vez que os soldados tinham que subir ao Maeda Escarpa para chegar ao campo de batalha eu imaginava a dor dos anjos ao verem aquelas cenas. Como deve ser doloroso para eles estarem na presença de alguém tão amável como Jesus e ter que presenciar tamanha crueldade. E pior que isso, como Deus deve sentir se imensamente machucado por ver os seus filhos, um planeta criado de modo tão belo ter que virar uma Terra banhada por sangue. E eu me pergunto, como é que Lúcifer, aquele que um dia esteve na presença de Deus, sentir prazer ao contemplar tamanha carnificina? Todos esses pensamentos eram intensos demais para que eu pudesse suportá-los sem derramar lágrimas.

Mas enquanto Satanás cria armas de destruição em massa, Deus põe diante de nós a melhor arma de todas, Ele nos dá a mesma arma que manteve o soldado Desmond Doss de pé no meio do campo de batalha sangrento, a Biblia Sagrada. A arma que nós devemos levar para todos os lugares. Nas nossas guerras humanas, nossas motivações serão baseadas em desejos mesquinhos e egoístas. Enquanto isso, eu fecho os meus olhos, e choro ainda mais ao lembrar-me de outro homem que um dia subiu um monte chamado Monte do Calvário, para salvar “até o último homem”, que neste caso sou eu e você. Ele subiu ao monte para nos salvar do campo de batalha sangrento ao qual fomos condenados, ele veio para nos dar esperança, para curar as nossas feridas e nos lembrar de que ainda existe graça. Esse homem não é Desmond Doss que subiu o Maeda Escarpa, é Jesus de Nazaré, que subiu o Monte do Calvário para que tivéssemos vida em abundância (João 10:10).

Tamires dos Santos

Tamires dos Santos

Quando olho para cruz me pergunto se tenho algum motivo para não amá-lo. Não sou merecedora, mas a Sua graça me alcança.
Tamires dos Santos

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