João 04

João 04

Bom dia leitores.
Hoje desejo fazer com vocês algumas reflexões sobre o capítulo 04 do Evangelho de João.

No início do capítulo Jesus nos surpreende com sua atitude. Ele estava na Judeia, mesmo local que João Batista (lembra do capítulo 01 em que João Batista batizou Jesus?), seu primo, vivia, e soube que os fariseus tinham ouvido dizer que Ele batizava mais discípulos que seu primo João Batista. Por isso, Jesus decidiu retirar-se para outro local (Galileia).
Observe que não foi João Batista que se queixou do ocorrido, até porque, além da mãe e do pai de Jesus, os únicos parentes explícitos que criam Nele como Filho de Deus eram seu primo João Batista e seus tios Isabel e Zacarias. Todavia, mesmo sendo Deus, mesmo sabendo da submissão de seu primo ao seu senhorio divino, Cristo preferiu se afastar e ir para outro local, a fim de que as conversas maliciosas cessassem.
Cristo não agiu dessa forma por causa dos fariseus, ou por que se impotava com o que diziam a respeito Dele, mas sim porque ele amava João Batista, não apenas como seu primo na terra, mas como criatura/filho, haja vista Cristo ser Deus.
Vejam, esse respeito de Deus demonstrado aqui e ao longo da Bíblia é algo que nos fascina. Mesmo o homem sendo criatura, Deus não age como um ditador que impõe sua vontade a todo custo, mas ele se preocupa com o bem-estar de seus filhos, agindo não apenas como um pai amoroso, mas como um amigo que respeita, cuida e protege.
Por isso, vemos em João 15 Cristo dizendo aos seus discípulos que não os chama de servos, mas como amigos. Demonstra-se nesse trecho, mais uma vez, a análise do catedrático da Usp, Dr. Dr. Fábio Konder Comparado, em seu livro “a Afirmação Histórica dos Direitos Humanos”,  para quem o Deus da Bíblia contraria qualquer definição existente de um ser divino em qualquer outra cultura e/ou religião.
Meu desejo é que Cristo produza em todos nós este amadurecimento, este respeito e este amor para com o próximo.

A partir do versículo 07 temos um diálogo interessante de Jesus com uma mulher samaritana. Particularmente, entre as várias reflexões, duas muito chamam a atenção:
a) Na Bíblia existem simbologias. Entre elas, a água é o símbolo de criação, recriação e purificação. Ao ofertar aquela mulher água da vida, Cristo estava oferecendo purificação para sua alma dilapidada pelo mal do mundo, pela defraudação emocional, pela escravização sexual, pelas feridas do coração, pelos sonhos destruídos, bem como oferecendo a recriação de sua vida, uma nova perspectiva, nova mente, novo sonho, etc.
No começo o diálogo nos parece estranho, mas no desenrolar dos fatos nos é demonstrado que aquela mulher já tinha tido cinco maridos e estava com um sexto homem, que na verdade nem era seu marido.
Observe que Cristo não chegou acusando aquela mulher, mas perguntando se ela queria ser recriada, purificada pela água viva (A Palavra de Deus). Ele estava oferecendo para ela possibilidade de recomeçar sua vida e não ser apenas mais uma mulher sexualmente e emocionalmente defraudade e socialmente desprezada. Era chegado o tempo de mudança de vida, de recomeço. Isso nos leva a refletir (especialmente a mim, escritor) sobre quais tem sido os fracassos e pontos fracos e que é tempo de recomeço, é tempo de deixar Cristo cicatrizar as feridas abertas pelas lanças da existência humana.
b) Cristo também mostra aquela mulher que o lugar em que se adora não é relevante, mas a intenção do alma (Jo. 4.21-24). Ora, o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, é o local de oferecer o sacrifício racional de adoração a Deus. Sendo assim, mais importante que o local físico em que se adora, é a condição do nosso corpo, pois é nele que habita o Espírito de Deus.
Portanto, existem perguntas básicas que devem constantemente nos instigar a reflexão: Como está meu corpo? Ele tem sido a morada do Espírito Santo ou navio náufrago de mágoas, frustrações, tristezas, desprezos, defraudações, fraudes…? Seja lá como esteja seu corpo nesse momento, é tempo de reviver, recriar, resignificar a vidas.
Frise-se ainda que este trecho é um dos fundamentos bíblicos para o cuidado estético do corpo; a pureza sexual; o cuidado dos sentimentos e proteção do coração; o combate a violência, a tortura, o homicídio, etc.

Na sequência, é interessante o diálogo meio zueiro de Cristo entre os versículos 31 ao 34 (rsrs).Mas vamos nos ater ao fascinante acontecimento do 40, pelo fato de Jesus ter ficado com os samaritanos por dois dias. Um judeu dormindo, comendo e conversando com samaritanos era uma atitude considerada desprezível e inaceitável para a sociedade da época. Muito me entristece que o Jesus que a maioria da sociedade conhece e parte dos cristãos prega é um Jesus diferente daquele da Bíblia. O Cristo bíblico é um quebrador de protocolos e um germinador de esperanças por excelência.

Por fim, os versísulos 46 ao 54 constroem um trecho considerado entre os cristãos como um dos mais lindos e ricos, pois ele concentra diversos ensinamentos, parâmetros doutrinários cristãos sobre a fé, a confiança, a esperança, a paciência, a humildade… e, principalmente, sobre a figura amorosa e proterora de um pai (em elevado grau de extinção hodiernamente).
Este capítulo é de uma riqueza imensurável. As breves reflexões aqui feitas são meras sombras das riquezas que realmente são. Mas… é hora de parar, se não o texto ficará extenso demais (rsrs).

Deus abençoe a todos. Que os ensinos de Cristo sejam refletidos no uso de nosso tempo no viver diário :).

Davvy Lima

Davvy Lima

Prisioneiro de mim mesmo. Pecador treinando no erro. Agradecido pela graça na cruz, tentando viver a simplicidade da vida com Jesus.
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